Entrevista Revista Trip\ Interview Trip Magazine

Mar. 18, 2014








Escrevi um depoimento pra Revista Trip deste mês sobre como é ser meio nômade. A revista está nas bancas e é inteira sobre ir ou ficar. // I wrote a statement for this month's Trip Magazine about being a nomad. 

Abaixo o meu depoimento:

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Eu gosto muito de ficar olhando o céu, e isso é muito bom porque a gente encontra céu em todo canto da terra. O céu muda o dia todo e todos os dias e talvez seja a coisa mais excitante e democrática do mundo. Eu acho que ser nômade é muito parecido com ser o céu, pois, como ele, habitamos o movimento e é ai que encontramos o sentido de viver. 

E quando digo nômade tem mais a ver com movimentos internos e um jeito de vivenciar momentos do que viajar fisicamente. Depois de ter dado algumas voltas pelo mundo e ter morado em vários lugares, conclui o clichê que ouvimos dos mais velhos: a viagem maior está dentro da nossa cabeça. 

Acho que não adianta muito viajar e morar em muitos lugares se estivermos conectados demais com um pensamento só. Nomadismo tem a ver com o desapego do que somos sabemos, tem a ver com sermos capazes de deixar espaço livre para as coisas bonitas ao nosso redor mudarem a gente - independentemente da geografia.

Desde muito criança já sabia que a minha vida seria assim, viajando do modo mais romântico possível. Aos 19 anos me mudei pra Londres, onde vendia rosas na rua e estudava. Depois me formei em cinema e, desde 2001, viajo fazendo filmes e arte que se inspiram nesses movimentos e mudanças. 

Não é sempre fácil. Uma vida assim tem um preço muito alto. Você sempre está com saudades de alguém ou de algum lugar. A pátria se perde, e sentimos que pertencemos a inúmeros lugares ao mesmo tempo. As fronteiras deixam de existir, e o mundo se torna uma coisa só. As pessoas te questionam o tempo todo, não entendem e muitas vezes não respeitam. Eu nunca tive a sorte de me apaixonar por um outro nômade, então os amores acabam sofrendo um pouco também. Tenho sempre amigos longe, o que faz com que os encontros sejam sempre intensos e presentes pra que cada minuto seja aproveitado. Fora que planejar uma vida com filhos é extremamente dificil. 

Não sei se conseguiria viver de outra forma, então optei por abraçar essa vida com o que ela tem de bom e ruim, com os céus do mundo para apreciar e os ensinamentos de cada dia.


http://revistatrip.uol.com.br/revista/230/colaborativa/ame-o-ou-deixe-o-de-vez-em-quando/page-3.html


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